quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Manuel Bandeira - Morte Absoluta




Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.


Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A enxague máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.


Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?


Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.


Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."


Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.



Antes de mais nada não posso deixar de ressaltar o quanto é bom e calmo, prazeroso ler Manoel Bandeira. Comentarei o poema “ A morte absoluta “ que se encontra no livro Lira dos Cinquent'anos, 1940. Comentarei ele tanto filosoficamente como pelo seu cunho literal. Primeira mente é bom salientar que Bandeira é amante de versos livres, ele não se prende a métrica, o mesmo era professor de literatura, pelo o que eu estudei dele digo que ele fez da sua vida um poema livre, pois a mesma foi regida por métricas do acaso. Manoel Bandeira utiliza a anáfora para construir o poema, é fácil perceber como ele faz o uso do verbo “morrer”, ele utiliza essa palavra 7 vezes, 6 no inicio de cada estrofe, é no primeiro estrofe ela é reutilizada no segundo verso. Não tem como não perceber até mesmo porque o poema parece ser autoexplicativo que o poeta está fazendo uma alusão ao esquecimento, um fim do “ser” Manoel Bandeira sugere que esse ente não seja lembrado nem mesmo pelo seu nome (- Sem deixar sequer esse nome. ), ou seja um aniquilamento completo da identidade deste ser. Mas por que esse ser não pode ser lembrando? Responderei essa pergunta mais adiante. Chamo atenção agora para toda a extensão do segundo estrofe, pois nele podemos percebe que existe uma tentativa de acabar com o “ego” toda a matéria que envolve o ser, transcender essa relação de corpo e alma, ou seja livrar o ser de todo mal.
Essa morte que Manoel Bandeira está exaltando pelo lírico, não é uma morte qualquer. É uma morte que se esbarra com a vida, uma tentativa de se livrar o ser de todo mal. Se trocar o verbo “morrer” pelo seu antônimo “viver” dará para perceber esse esbarrão. Chamo a atenção aqui para imaginar que essa morte não valerá a pena se não vier de uma vida bem vivida. Que o “ente” em si no leito de sua morte não traga dor,é sim, paz! Pois ele não precisará de mais nada para selar o seu fim se não, essa morte. Morte que tem sabor de liberdade, já que não lhe restará nada que lhe prenda a vida nem seu próprio nome(- Sem deixar sequer esse nome. ) . Respondendo a pergunta que deixei no primeiro parágrafo, esse ser não deve ser lembrado, pois ele viveu até o cunho da sua morte uma vida absoluta, ou seja sem apego, ele transcendeu além do espírito e da carne. Chegou na entidade maior que não precisar ser lembrado por aquilo que viveu em vida, pois esses momentos vividos já foram eternizado enquanto se vivia. Ou seja “Morrer mais completamente ainda,”.


Poema A morte absoluta, Bandeira, 1940.

Comentado Por: Mauro Henrique S.A

27/10/2011

Um comentário:

  1. Bandeira,Vevenciou cada instante de sua vida,tão bem vividos,q os eternizou de maneira única,q ñ necessitava de maneira alguma ser lembrado diante á morte.Que simplesmente para ele,morrer,seria viver ,ser livre!Não fazendo daorte um alembrança,poi sesta lembrança ficou eterna em cada momento,q ele viveu!Não sei se foi isto?

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